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domingo, 31 de outubro de 2010

GABF: Flying Dog - Canis Major

Sim, eu sei, a Snake Dog não faz parte da linha Canis Major da Flying Dog, mas poderia. A cerveja levanta os pelos da nuca!! Essa IPA de 7,1% abv e 60 de IBU tem coloração cobre claro. Sua espuma é branca, de média a boa formação e média duração.


O paladar é completamente dominado pelo amargor elevado da lupulagem. O aroma também traz notas fortes de lúpulo herbal. Não é qualquer um que encara o cachorro-cobra não!

A cerveja seguinte é de um estilo bem próximo ao da Snake Dog. Trata-se da Double Dog, uma pale ale violenta de 11,5% de abv e 85 IBU. Apesar de mais lupulada e alcóolica que a IPA, ela é equilibrada.


De coloração cobre escuro e espuma branca de boa formação, essa cerveja extrema tem em seu aroma, o lúpulo herbal e o caramelo, assim como no paladar, trazendo um amargor elevado, equilibrado com o doce do malte. Conforme vai esquentando, o lúpulo tende a aparecer mais.

Quem curte Barley Wine vai gostar da Horn Dog. De longe já se percebe o aroma de frutas vermelhas. Quando abrimos a garrafa, o perfume toma conta do ambiente. Além das frutas vermelhas, também estão presentes aromas de madeira, castanha e vinho.


O vinho se repete na cor. Se não fosse pelo colarinho desbotado, cremoso, teria a aparência de um vinho. Esse colarinho forma muito bem e é duradouro, deixando marcas na taça (o famoso Belgian Lace).

O paladar é doce e seco, com toques de madeira e vinho. Bem complexa esse belo exemplar de 10,2% abv e 45 IBU.

Para finalizar o nosso GABF 2010, a cerveja que todos que provaram, gostaram, inclusive aqueles críticos mais ferrenhos das Flying Dog. A Gonzo foi feita em homenagem a Hunter S. Thompson, jornalista americano que inspirou toda a ideologia dessa cervejaria, e já foi, por diversas vezes, premiada, inclusive com medalhas de ouro e prata no World Beer Cup.


A Imperial Porter da Flying Dog é preta e opaca. Colarinho bege de boa formação e duração. A cerveja é oleosa, grossa, bem encorpada e conta com 7,8% de abv (o site da cervejaria diz 9,2% abv). O alcóol é imperceptível e traz aquele calor gostoso.

Apesar de bastante lupulada (são 85 IBUs!), apresenta um equilíbrio interessante entre os maltes torrados e amargor do lúpulo. Notas de torra bem presentes e amargor elevado caracterizando o paladar dessa cerveja. No aroma, o malte torrado, café e lúpulo contribuem para que essa seja uma boa representante do estilo.

Faltaram a In-Heat Wheat, que eu nunca vi no Brasil e a Kerberos Tripel que está em falta.

Em resumo, as Flying Dog são marcadas pela criatividade e irreverência. Algumas delas tem mais valor que as outras, mas todas chegaram aqui com preço bastante elevado.

domingo, 26 de setembro de 2010

GABF: Anderson Valley

Quando se pensa em Califórnia, logo nos vem a mente, praias, surf, LA, hip hop e até Arnold Scwarzenneger! Mas a terra de Mr. Governator também tem uma ótima cervejaria. Em Booville, California está uma das mais respeitas cervejarias dos EUA: A Anderson Valley!

Ela começou como um BrewPub, produzindo cerveja em seu porão. O sucesso foi tão grande e tantos premios vieram, que tiveram que aumentar, por duas vezes, a capacidade de produção. Construíram mais dois locais e tiveram que importar os tanques de brassagem de cobre da Europa.

Aqui no Brasil chegaram 5 rótulos, quase todos premiados. São eles Boont Amber Ale; Poleeko Gold Pale Ale; Boont Extra Special Beer; Hop Ottin´ IPA e Barney Flats Oatmeal Stout.


A Boont Amber Ale tem 5,8% abv e, como o próprio nome diz, é uma cerveja de coloração âmbar, escura. Sua espuma é bege, bem cremosa, densa. Tem boa formação e dura bem. No aroma, notas de caramelo e leve lúpulo.

A cerveja é equilibradíssima! Ao beber, se percebe em um primeiro plano o caramelo, trazendo um dulçor. Mas, logo depois um leve lúpulo aparece, com seu amargor. É uma cerveja muito fácil de beber, refrescante.

Em seguida, foi a vez da Poleeko Gold. Uma American Pale Ale, dourada, levemente turva de 5,5% abv. O colarinho é branco, bem cremoso e tem bolhas grandes. Como visto na foto abaixo, tem boa formação e retenção.


Completamente dentro do estilo proposto, a Poleeko Gold traz notas de lúpulo, cítrico e malte bem de leve no nariz. Já o paladar tem um bom amargor, inclusive, aparecendo novamente no aftertaste. Essa cerveja é leve, de alta carbonatação e muito fácil de beber!

Mais uma Californiana de estilo inglês! Não preciso mencionar qual é o estilo da Boont ESB, certo? Aliás, como toda boa ESB, essa cerveja de 6,8% abv é uma bomba de amargor. Bitter de respeito é assim.


É uma cerveja dourada escura/cobre claro, com colarinho branco de média a boa formação, com média duração. Tanto no aroma, quanto no paladar, no começo se percebe o malte, mas rapidamente o lúpulo, como todo seu amargor toma a frente e finalizar a cerveja. O amargor é realmente elevado (61 IBUs).

Depois de amargar a vida desse jeito, eu não tinha outra escolha que não fosse continuar amargando cada vez mais hehehe! A próxima foi a Hop Ottin´ IPA com 7% abv e 80 IBUs!


Interessantíssima IPA. Cor cobre, espuma de baixa formação e média duração. No aroma, lúpulo, cítrico e caramelo leve. No paladar o lúpulo e o caramelo se repetem. A cerveja é muito equilibrada. Rola um revezamento ao beber essa cerveja (hein?)! No primeiro gole aparece o amargor do lúpulo na frente do malte caramelo. Quando se repete o gole, ocorre o contrário.

Claro, foi a que eu mais gostei, mas sou suspeito para falar de IPAs. Curiosamente é a única que não carrega uma medalha de ouro no rótulo.

Pra finalizar e passar a régua, a Barney Flats Oatmeal Stout. Esse é um subestilo de stout que traz aveia em sua composição. A aveia acaba agregando corpo a cerveja. Aprendi a gostar deste estilo após beber uma excelente versão no curso da Confraria do Marquês.

Mas e a Barney Flats? É leve, de baixo amargor e alta drinkability. É preta, com boa formação de espuma, que por sua vez é bege. A retenção é de média a baixa, mas uma fina camada perdura ainda algum tempo.

No aroma, notas de café e chocolate. Na boca, a cerveja é bem cremosa (por causa da aveia), doce e levemente torrada. 

Todas as cervejas da Anderson Valley são muito bem equilibradas. A única tristeza ficou por conta da minha querida IPA ser a única a não carregar orgulhosamente a medalha de ouro no peito. Paciência e parabéns a Anderson Valley Brewing Company!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Beer Trip: Buenos Aires Day 4 - Buller

O último dia da viagem foi reservado para conhecer o Buller, um brewpub que fica na Recoleta. Atrás do famoso cemitério! Apesar da vizinhança macabra, a área é tomada por restaurantes legais, boates, bares e pubs. Quase no fim do rua, em frente a um jardimzinho muito agradável, fica o Buller Brewing Company.

Achei muito legal o esquema do pub, com os equipamentos todos no próprio local, a mostra para todos os visitantes. Não conhecia nenhum lugar deste tipo, então fiquei fascinado com os tanques enormes e outros equipamentos que servem para preparar as cervejas no próprio local.

O mais perto que já conheci é o Restaurante e Micro-Cervejaria Vice-Rey na Barra da Tijuca, que tem uma cervejaria, onde são produzidos os dois tipos de chopp servidos na casa: um Pilsen e um Amber. Claro que tudo é em muito menor escala que o Buller. Por isso fiquei impressionado com os equipamentos do local e com a qualidade dos chopps produzidos por lá. Mais uma vez, os Argentinos calam a boca daqueles que dizem que não há cerveja boa no país hermano. Muito pelo contrário!

Como pode ser visto na foto abaixo, o cardápio do local é bem simples. Não foge dos petiscos típicos de pubs, com ribs, batatas fritas, chicken wings e etc. Para beber, os chopps da casa e os mais variados drinks. Não consigo lembrar se existe as versões engarrafadas das cervejas, mas imagino que não.

Claro que como todo bom turista, pedi direto o sampler da casa. É uma tabua com todos os chopps da casa, em um pint pequeno para degustação. Na ordem: Light Lager, Hefeweissen, Honey Beer, Oktoberfest, India Pale Ale e Dry Stout. O legal é que entregam um papel explicativo de cada um dos estilo, para aqueles que não conhecem muito de cerveja ainda.

Estas são minhas impressões em relação aos chopps.

Light Lager (4.5% abv): Seria uma versão do chopp que chamamos de "pilsen" aqui no Brasil. É um chopp claro, palha, leve, refrescante e de baixo amargor.

Hefeweissen (5% abv): Bem turvo, já que não é filtrado. Bem refrescante também, com a presença clara do fenólico, trazendo as notas de cravo. A banana está presente, mas de uma forma mais discreta. Bem carbonatado, fica vivo na boca.

Honey Beer (8,5% abv): Sim, não escrevi errado. A cerveja tem teor alcóolico de 8,5%. Como o próprio nome já diz, o mel é o elemento principal da cerveja, se destacando tanto no aroma quanto no paladar. Além disso, como tem muitos açucares fermentaveis em sua composição, o mel auxilia o malte a alcançar o alto teor alcóolico. A cerveja é doce e pouco lupulada. O mel esconde o amargor. Conversando com o pessoal de lá, descobri que é o carro chefe da casa.

Oktoberfest (5,5% abv): Versão hermana do estilo alemão marzen/oktoberfest. A cerveja se destaca pelo caráter bem maltado, proporcionados pelos maltes Vienna e Munich, com certeza. Coloração acobreada e de baixo amargor, este foi um dos chopps que eu repeti depois com um pint inteiro. Muito bom.

India Pale Ale (6% abv): Sou suspeito para falar desse estilo. Disparado o meu preferido. Mas, ao mesmo tempo, sou bastante crítico, evidentemente. O Buller IPA tem cor de cobre e um bom amargor, como manda o figurino. Mas podia ter um pouco mais de notas de caramelo e eu ainda capricharia na lupulagem. Pra mim, deveria ser um pouco mais alcoolizado também. Mesmo assim é um bom chopp e tive que fazer um repeteco deste também.

Dry Stout (5,8% abv): Pra finalizar o sampler, o dry stout é negro, com uma espuma bege claro. Bem cremoso, mas seco toda vida. Tem um bom amargor e notas de torrado, café e toffee. O dono do local me garantiu que são tirados com a ajuda de nitrogenio. Não pedi um pint deste pra fazer o teste.

Com certeza, o Buller, junto com a Cervelar, foi o ponto alto da viagem. Vale muito a visita.O Buller Brewing Company fica na Pte. Roberto M. Ortiz, 1827, Recoleta (atrás do cemitério).

Com o coração partido, voltei para o Brasil, mas tendo a certeza de que os Argentinos fazem otimas cervejas e que qualquer cervejeiro deve incluir Buenos Aires na sua proxima Beer Trip.

Não consegui ir no pub da Antares, pois estava fechado no horário que passei. É a desculpa para voltar, certo?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

GBBF - Day 4

Dente de galinha. Nome realmente esquisito para uma cerveja. Porém é uma boa strong ale inglesa de 6,5% abv. Tem coloração âmbar, quase cobre. Tem um creme bege e denso. com boa formação e também boa durabilidade. O aroma traz malte, lúpulo e algo como ervas. O lúpulo, como toda boa inglesa, deixa um amargor no paladar. Também sentimos o doce do malte, equilibrando esta gostosa cerveja.


A Honey Dew é a cerveja orgânica da Fuller´s, ou o que chamamos de Specialty Beer. O mel, presente na receita, aparece tanto no aroma quanto no paladar. Como não podia deixar de ser, é uma cerveja doce, leve e refrescante (5% abv). Final longo. Tem uma coloração bonita, dourada e sua espuma é branca, permanecendo uma camada fina até o final. A própria Fuller´s aconselha experimentar esta cerveja diferente também com gelo e limão. Esquisito!!

Ótima Pale Ale. Respeita as características do estilo. Tem coloração âmbar, limpa. A espuma é bege, de média formação e pouca duração. O paladar acompanha o aroma, trazendo notas de lúpulo e malte caramelo. A ale do abade tem 5,0% abv e deve ser servida em um pint.

A melhor do dia. Fuller's IPA. Mais uma boa cerveja dessa excelente cervejaria familiar britanica. As India Pale Ale são cervejas reconhecidas pelo seu alto teor de lúpulo. O aroma e o paladar são carregados de lúpulos. O fator que diferencia, e na minha opinião, faz deste estilo um dos melhores existentes, é o amargor. E é exatamente assim a IPA da Fuller's (5,3% abv). Tem coloração ambar, limpa, acobreada e creme branco, de média formação e boa durabilidade (devo a foto). Até onde apurei, não é produzida o ano inteiro. Uma pena!!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

GBBF - Day 3

Não há como começar a falar desta cerveja sem elogiar seu rótulo. Assim que bati o olho na garrafa, me lembrei de vitrais de igrejas antigas. Realmente muita bonita.

A St. Edmunds, produzida pela Greene King, é uma premium bitter, de 4,2% de alcool e coloração dourada e translúcida. O lúpulo traz um aroma bastante floral e herbal bem equilibrado. A espuma branca, ao contrário do meu gosto, é de pequena formação e duração. No paladar, lúpulo e malte. É uma cerveja bastante leve e refrescante.


Diferentemente de sua versão em lata, a IPA da Greene King, é mais alcoolica. Com seus 5%, a export strength é notadamente superior. O corpo é limpo e tem cor de cobre. Dá para ver o outro lado. A espuma é bege claro, de média formação, mas curta duração. O legal é que permanece uma fina camada até o fim.

Como manda o estilo, o aroma é bastante lupulado. Bem floral. Na boca, o gosto bastante amargo do lúpulo. É uma boa representante deste estilo que eu tanto gosto.